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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010


A DIVERSIDADE HUMANA....
Homo, Bi, Hétero - Assim é a humanidade

por Amparo Caridade * Assim estamos na humanidade desde os primórdios. Não houve um tempo em que isso foi diferente. Entre primitivos e civilizados, intelectuais ou iletrados a pulsão humana para o amor sempre se manifestou numa dessas direções. Não se trata de um mal da nossa época, de uma falta de vergonha, pouca moral ou coisa semelhante. É a nossa humanidade, essa que atravessa nosso ser. É ela que é homo, bi ou heterossexual. Somos sim capazes de viver a sexualidade nessa diversidade de orientações. Isso é encontrado em todos os povos, raças, lugares de todos os tempos. Entre nossos índios como entre povos civilizados houve sempre interesses e vivências homo, bi ou heterossexuais. Grandes personagens da história foram homossexuais e sua forma de viver a sexualidade não os impediu de deixarem brilhantes contribuições nos mais variados campos do saber. É desumano, cravar o punhal ou crítica ferina em pessoas que agem diferente de nós. Talvez devamos suspeitar de nossos saberes absolutos que se arvoram a discriminações. Saberes totalitários, diria, sobre o que é certo, errado, pecaminoso ou virtuoso. Saberes que não somam; dividem muito. Em nome desses saberes, idéias maquiadas de verdade, firmam-se preconceitos, intolerâncias, fundamentalismos, racismos, homofobias. Em nome de saberes assim absolutos se abriram campos de concentração que hoje envergonham a humanidade. O fanatismo atrai todos os raios e leva aos caminhos da perdição, disse bem o Jornalista do DP, José Adalberto Ribeiro Os depreciadores da vida são muitos e curiosamente são eles que dizem como deve ser o mundo. O mundo não é mau; nossa desumanidade sim. Quando somos incapazes de amar a vida ficamos de mau humor e aí nos desumanizamos. Perdemos a capacidade de tolerar e apreciar a diversidade. Rejeitamos os que agem diferente de nós sem a busca de uma compreensão do que é mesmo o que se recusa. Recuperar a inocência do olhar será necessário à humildade e bem estar diante da realidade. Não é o tempo ou uma época que é má. Talvez o mal estar esteja na forma como somos e estamos no mundo. Cuidar do modo como estamos na vida é fundamental para que possamos estar bem no mundo tão diverso que nos cerca. Em nome de que, seríamos seus avaliadores? Ser homo, bi ou hetero é a orientação sexual de cada pessoa. Não é uma escolha. Se o fosse, quem escolheria uma via que ainda é cheia de rejeições e preconceitos e que causa tanto sofrimento? O preconceito parece nos impedir de avaliar, como é feio e indigno, certos casais que em sagrados matrimônios se maltratam, desrespeitam, impõem vontades humilhantes ao eu do outro. Há muitos homossexuais que do alto de sua ética, competência, dignidade, responsabilidade humana e social fariam corar de vergonha certos preceituadores de virtudes autoritárias. É em nome das intolerâncias que se fazem necessárias certas leis. Quando a humanidade falha em nós, a lei nos vigia e nos acode para que não percamos a cabeça contra nosso semelhante – e faz-se a lei. Foi aprovado o Projeto de Lei número 122, da Câmara, que criminaliza a discriminação ou preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero. Benvinda a lei. Quem sabe ela nos ajuda a ver que o outro vale pelo que é como pessoa, como sujeito emseu existir. * Amparo Caridade- Psicóloga. Psicoterapeuta, Mestra em Antropologia. Professora Adjunta da Universidade Católica de PE - Unicap. Livro publicado: Sexualidade - Corpo e Metáfora. Editora Iglu, 1997. Diversos artigos publicados em revistas brasileiras. Membro do Conselho Editorial da Revista da SBRASH - Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana.

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